Envelhecer e se perder numa dor dúbia, transparente aos olhos do meu eterno karma, da minha calma antiga. Mania de um drama adolescente que se encanta pela poesia alheia, como se isso fosse uma espécie de redenção, e tento me encontrar e encaixar no que faz nascer um novo texto de mais um entre outros tantos universos personificados. A distância entre a genuína leveza e o esforço que faço pra caber no colo, no caderno, na casa, na vida do outro, sinceramente, não me interessa. Sentir a carne, o cheiro, o gozo e o som das palavras bonitas e levianas de mais este ser pode ser um meio de amor, do amor, de amar...? A dúvida sequer passa por aqui. Se dispersa no ar como o fumo que disse não mais tragar. Me engano se penso que consigo enganar os outros como consigo enganar a mim mesmo. Acredito que consigo e peco, e foda-se. Sou eu e a minha vida, e nada mais interessa. Não sei ficar só. Só, sozinha, perto de mim mesma e à uma distância segura dos outros. Nem tão perto, nem tão longe. Só... ali. Verdades jogadas violentamente na minha cara com a rispidez de um amor doente e confuso me acariciam pela forma como recebo o baque. Meu rosto não consegue disfarçar a "sem gracês" de quando ele não tem nada a dizer. Parece não se importar mais ou será que está muito cansado? "Tanta energia vibrar em carne num plano de sofrimento cansa". Diria com a voz rouca de tantos cigarros. "Vai te foder!". Aprendi a responder. É um "Eu te amo" mais fácil de dizer. Saudades. "Eu não sei nem do quê". "De ti, de te ver, de te encher o saco".
Um caco de lamina da arma branca quebrada no peito.
Dói.
Faço tudo de novo do mesmo jeito.
Envelhecer e me perder numa dor ambígua
Fácil de enxergar pelos olhos do meu karma eterno,
da minha calma antiga.
Alma que me acompanha
calma do avesso.
Cresço e mudo de nada
me adianta, mas insisto que posso sim
enganar e mentir como faço comigo.
E sigo
achando que o esforço é o meio de amar
pra não ficar sozinho.
Adoeço, peço ajuda
e o remédio são como tapas na cara
dados com o carinho do amor verdadeiro.
E me abraça, me aconchega, me mima,
me consola, me conforta e me adormece.
De longe não há nada a dizer.
Restou saudade.
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