Qual é a lombra?

domingo, 11 de agosto de 2024

Tempo e Espaço

A linha do tempo, inconstante, nebulosa na visão do humano, só existe na consciência humana. Nenhum outro animal pensa sobre o tempo, apenas vive. Transcorre por essa dimensão sem se preocupar com atraso, pois sabe que a hora certa é o presente. Para resolver possíveis problemas ou questões do futuro, age no agora usando a intuição, o instinto. O passado só determina a condição do presente, mas não interfere no que precisa ser feito, pois o que precisa ser feito apenas precisa ser feito.


Para o ser humano, qual é o ponto? Sabemos a hora de fazer o que precisa ser feito? Ou simplesmente a natureza das coisas se impõe? Tudo acontece independentemente de estarmos preparados, ou mesmo conscientes sobre o que precisa ser feito? De fato tempos escolha sobre o que acontece conosco? É certo que a intenção não importa. O ato é que leva ao "paraíso" ou ao "inferno". E sobre esse ato, temos realmente o poder de escolher realizar ou não? Os caminhos abertos, a colheita, dependem mesmo da semeadura? Mas e o ato de semear, depende de qual escolha? Não seria a semeadura uma colheita também? Deliberar, criar as condições para que algo aconteça, é mesmo uma escolha? Fazemos isso de forma realmente consciente? Ou será que tudo apenas tem que acontecer? Não falo de destino, mas de natureza. Mas não a natureza como costumamos ou costuma-se pensar. A natureza, nesse caso, expandida para além dos limites do planeta. Uma Natureza do Universo. Não existe um espaço absoluto onde se possa ficar, parar. O universo se expande e o movimento dos corpos pelo espaço é o que dá a sensação de que o tempo está passando. E o que muda daqui até o próximo instante? O espaço onde nos encontramos no universo se expandindo? E o que essa mudança causa? O que acontece com o passar do tempo determinado pela mudança de posicionamento no espaço? Engraçado pensar que talvez essas questões todas tenham sido levantadas, justamente, para serem "respondidas" pela passagem do tempo, pelo deslocamento no espaço. E que foram levantadas como forma de criar as condições para que se chegue num ponto do espaço, no futuro, onde as respostas vão estar. E o que motivou essas perguntas foi o caminho transcorrido no tempo e no espaço até aqui. Então eu escolhi escrever ou eu tinha que escrever, e simplesmente fiz o que precisava ser feito? Eu tive mesmo alguma escolha? Ou só me desloquei até aqui? E tu? Escolheu ler ou só foi trazido pela expansão do universo até esse momento?

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Deus Inanimado

Havia o cidadão de bem

que rezava e orava


Havia o ladrão

que percebe o cidadão distraído


A mão

que furtava a bolsa do cidadão


E a mão

que sacava a arma e puxava o gatilho


Havia um corpo no chão da igreja


Havia gritos de aleluia pela morte do ladrão


E havia Deus 

que era a bolsa do cidadão

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Finge que disfarça

Finge que disfarça

Que não deu pra notar

A mentira pelo ar

E até que se esforça

Vai sorrindo com o olhar

E a mentira pelo ar


Vinte e poucos anos

De traumas pra contar

A família, o lugar...

E até que se esforça

Vai dormindo sem olhar

Da janela do oitavo andar



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Beijo no final

 - Preservamos o pouco que foi bom na memória, com registros, até então, eternos. Da alegria ao fim e agora ao pós-fim com um texto em uma lápide.


- Cientes de que se tirar a parte ruim não sobra nada?


- Sim? Tem muito material. É o que liga as partes boas em outros tempos, que não o inicial.


[silêncio]


(A conversa continua em qualquer coisa que reitere o que foi dito. O ciclo se repete, cada vez mais com medo de dizer algo errado e pesado, pesando no tom e na consciência.)


- A história tá no museu.


- Tá no museu de Bacurau.


- Tá no museu ou é o museu?


- É o museu de Bacurau?


(Se olham e a conversa suspende no ar com ar de concordância. Clima bom. Beijo no final.)


[continua?] 


(Pergunta retórica.)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

A Troca

Já se fez uma eternidade

e um mês que a queda da

conexão, o karma e a falta

de atenção dos dois deixaram

pra trás o que era um presente

pra almas tão doentes...


Por um triz a história

não foi mais feliz, pois

desde o começo

o medo era o mesmo,

de não acertar e olhar

pra trás como quem vive

a vida sem temer errar

e errar.


E aí? O que tinha pra ser?

Tá aí o que se falou.


Sempre diz que a obra é

uma cicatriz, que o peso

de alguma dor feriu

na alma e formou, pra então

lembrar que a dor

trás sempre também algo bom,

mas que isso não é

um dom.


Ilusão,

pra ver se livra um coração

com a cena de uma boa atriz

que é salva pela intenção

e pedir perdão não é

dizer que a atuação

foi a melhor opção.


E aí? O que tinha pra ser?

Tá aí o que se falou.


E aí? O que tinha pra ser? (Me diz)

Tá aí! O que eu nunca quis fazer, eu fiz...

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Limbo

Volta

pra onde eu não via

e não sabia que existia


Vem ver

o limbo do abismo

e os sonhos do inconsciente


Vai ser

melhor em outro lugar

longe de perto de mim


Venha

a paz do sossego

do tempo que eu quase esqueci