Qual é a lombra?

domingo, 3 de maio de 2015

Te vi na Lua hoje

Te vi na Lua hoje, de novo. Na verdade sempre te vejo, mas hoje foi especial. Não que das outras vezes não tivesse sido, pois sempre é. Te ver assim é algo que às vezes eu nem acredito. Mas hoje estavas tão linda.

Era uma vez um pássaro. Poeta Passarinho, assim o batizou a Leoa. E a Leoa o inspirava. Fez à ela dos cantos mais lindos. Seus cantos continham rimas, estrofes. Eram, quando cantava, declamação e música. E assim era.

O Poeta Passarinho, em voos noturnos, uma vez avistou a Lua, que também virou sua musa. E a Lua o inspirava. Seus cantos tomavam formas ao Vento, e no Tempo, o compasso e os intervalos entre os sons e o silêncio escreviam textos no ar. Tudo para a Lua. Muito pelo amor que nasceu por ela e talvez algo, e talvez muito, por uma paixão nascida por ela, que resistia e existia, e insistia, à via como uma mulher de cabelos rubros.

Certa noite, avistou a Lua e nela sua Musa. As nuvens espaçadas e ao seu redor lembravam lençóis de algodão fino, e o céu era sua cama. Estava nua, deitada, de punhos semifechados aos lados da cabeça e sobre os cabelos vermelhos de um modo que somente as pontas de seus anelares encostavam nas palmas de suas mãos. E com uma expressão de paz e também convidativa em seu rosto, meio que chamando para que deitasse ao seu lado e sentisse essa mesma paz, mas ao mesmo tempo com um olhar de expectadora admirada, talvez com a cena que via ali, do pássaro parado no meio da rua, olhando para ela. E assim talvez sua admiração seja traduzida numa pergunta que ela deva ter se feito ao ver aquilo. Algo como:

- Por que será que ele ainda não veio deitar aqui comigo?

E o pássaro, mesmo imerso naquele olhar, naquela poesia, sentiu que talvez fosse possível expressar algum canto sobre aquele momento. Então mira a Lua com o bico e canta:

- Eu te amo.

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