Te vi na Lua hoje, de
novo. Na verdade sempre te vejo, mas hoje foi especial. Não que das outras
vezes não tivesse sido, pois sempre é. Te ver assim é algo que às vezes eu nem
acredito. Mas hoje estavas tão linda.
Era uma vez um
pássaro. Poeta Passarinho, assim o batizou a Leoa. E a Leoa o inspirava. Fez à
ela dos cantos mais lindos. Seus cantos continham rimas, estrofes. Eram, quando
cantava, declamação e música. E assim era.
O Poeta Passarinho,
em voos noturnos, uma vez avistou a Lua, que também virou sua musa. E a Lua o
inspirava. Seus cantos tomavam formas ao Vento, e no Tempo, o compasso e os
intervalos entre os sons e o silêncio escreviam textos no ar. Tudo para a Lua.
Muito pelo amor que nasceu por ela e talvez algo, e talvez muito, por uma
paixão nascida por ela, que resistia e existia, e insistia, à via como uma
mulher de cabelos rubros.
Certa noite, avistou
a Lua e nela sua Musa. As nuvens espaçadas e ao seu redor lembravam lençóis de
algodão fino, e o céu era sua cama. Estava nua, deitada, de punhos semifechados
aos lados da cabeça e sobre os cabelos vermelhos de um modo que somente as
pontas de seus anelares encostavam nas palmas de suas mãos. E com uma expressão
de paz e também convidativa em seu rosto, meio que chamando para que deitasse
ao seu lado e sentisse essa mesma paz, mas ao mesmo tempo com um olhar de
expectadora admirada, talvez com a cena que via ali, do pássaro parado no meio
da rua, olhando para ela. E assim talvez sua admiração seja traduzida numa
pergunta que ela deva ter se feito ao ver aquilo. Algo como:
- Por que será que
ele ainda não veio deitar aqui comigo?
E o pássaro, mesmo
imerso naquele olhar, naquela poesia, sentiu que talvez fosse possível expressar
algum canto sobre aquele momento. Então mira a Lua com o bico e canta:
- Eu te amo.
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