Qual é a lombra?

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sentir e caminhar sobre a linha bamba e tênue do perigo das palavras e o perigo do silêncio

"... Então um senhor me pergunta quem sou eu:

- Quem tu és? - Eu não me toco do que digo:

- Eu sou só um bardo aleatório da noite.

     Não contente ele resolve perguntar o que eu tenho:

- O que tu tens? - Sinceramente não sei a natureza dessa pergunta. Não sei se achou que eu estava mal ou abatido ou se perguntava em relação às minhas posses, que são pouquíssimas, ou trabalho. Respondi:

- ... Saudades... - Então a partir daí imagino que a conversa tenha entrado numa atmosfera mais íntima, mas não me incomodei em responder as perguntas seguintes e nem ele se incomodou de perguntar:

- De que?

- Do tempo.

- Que tempo?

- O tempo em que os pinguins eram felizes."



"- Wonderland, Pinguim! Wonderland!"


"- ... os pinguins tristes foi inevitável. Desculpa.

- ...

- Eu tava lendo umas mensagens antigas... Estavas tão bem. - Um breve riso com o arquear dos cantos da boca rubra indicam o cansaço do corpo e a vontade de continuar aquele, até então, monólogo.

     Ele à olha como quem admira a Lua. Ali, calada, resplandecente e quase inalcançável. Mas a ousadia fixa do olhar do moço chama a atenção da admirada:

- Por que estás me olhando? - Um breve riso com o arquear dos cantos da boca escura e coberta por pelos de barba indicam que ele mesmo não sabe. Sempre foi de seu instinto admirar a Lua. Sonhava e vivia como se estivesse lá. Lunático. Quando criança, um truque de mágica feito por um dos maiores mágicos já conhecidos o fez indagar-se sobre uma viagem para lá. Depois de uma sequência de eventos aleatórios, o mágico adivinhou que o dedo do garoto estava sobre o signo da Lua e disse "Seria fascinante ir até lá, não?". Quis ser astronauta. Mais velho e mais tarde, passou a noite admirando a Lua Rubra. Um ano e meio antes viu, da praia em frente a casa onde morava, a Lua Azul. Tem lembrança de ter avistado pela primeira vez a Lua Amarela aos sete anos de idade. Desenhava sua fase minguante em tudo que possuía. Aos dezessete, acordava no meio da noite, afamado pela própria adolescência, e ia para cima de casa falar com a Lua, pois só Ela o ouviria sem julga-lo e sem contar para mais alguém de suas desventuras. Passou a vida inteira assim, a olhar e admirar a incrível beleza da Lua. É de sua natureza. Como um lobo que uiva, faz canções e poemas tendo-a como musa. E agora aquela pergunta. Respondeu:

- É o que eu faço. Sempre fiz isso.

- ...

- Isso te incomoda?

- Um pouco...

- ..."


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