“A luz do sol na janela não deixa claro se
são oito da manhã ou três da tarde. O dia começa quase pela metade.”
- Em que sonho eu sonho meu sonho igual ao teu...
- Nescafé, né?
- Nescafé?
- Sim. Aquela música que tem lá... (interrompida)
- Sim, sim. Hum. Eu não lembro bem das outras partes, só de
quando acordei. Estávamos andando pelos sonhos um do outro. Quando acordei, a
gente tava num meu. Era num bosque, com um tom de quatro e meia, cinco horas da
tarde com cara de chuva, sabe?
- (risos) Sei.
- Então. Daí nesse bosque, lembro que a gente parava pra
olhar uma árvore. A gente olhou a árvore de cima pra baixo... Ela tinha o
tronco meio fino e depois ia engrossando. Daí, na altura mais ou menos do
pescoço, nosso, né? Que árvore não tem pescoço. (risos)
- (RISOS)
- Tinham vários riscos, assim. Traços na horizontal, parece
que feitos com faca. Só na parte que a
gente olhava. Então eu te explicava que aquilo eram como aquelas marcas nos
pulsos de quem se corta. A árvore tinha meio que esse aspecto de uma mão
fincada no chão... E as pessoas iam até ela pra tentar zerar suas tristezas,
sabe?
- ... Sei...
- Era meio que uma válvula de escape. Elas faziam aquilo na
árvore pra não fazerem nelas mesmas...
- Tu tens marcas?
- Não.
- Eu tinha.
- (risos)
- Que foi?
- Nada. (sorriso)
(Pinguins no País das Maravilhas)
Nenhum comentário:
Postar um comentário