Qual é a lombra?

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Passeio

     “A luz do sol na janela não deixa claro se são oito da manhã ou três da tarde. O dia começa quase pela metade.”


- Em que sonho eu sonho meu sonho igual ao teu...

- Nescafé, né?

- Nescafé?

- Sim. Aquela música que tem lá... (interrompida)

- Sim, sim. Hum. Eu não lembro bem das outras partes, só de quando acordei. Estávamos andando pelos sonhos um do outro. Quando acordei, a gente tava num meu. Era num bosque, com um tom de quatro e meia, cinco horas da tarde com cara de chuva, sabe?

- (risos) Sei.

- Então. Daí nesse bosque, lembro que a gente parava pra olhar uma árvore. A gente olhou a árvore de cima pra baixo... Ela tinha o tronco meio fino e depois ia engrossando. Daí, na altura mais ou menos do pescoço, nosso, né? Que árvore não tem pescoço. (risos)

- (RISOS)

- Tinham vários riscos, assim. Traços na horizontal, parece que feitos com faca.  Só na parte que a gente olhava. Então eu te explicava que aquilo eram como aquelas marcas nos pulsos de quem se corta. A árvore tinha meio que esse aspecto de uma mão fincada no chão... E as pessoas iam até ela pra tentar zerar suas tristezas, sabe?

- ... Sei...

- Era meio que uma válvula de escape. Elas faziam aquilo na árvore pra não fazerem nelas mesmas...

- Tu tens marcas?

- Não.

- Eu tinha.

- (risos)

- Que foi?

- Nada. (sorriso)

(Pinguins no País das Maravilhas)

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