Há o frio que não faz tremer o corpo
Mas invade e domina o ávido coração
Onde estão aqueles olhos de purpura cor que te
tiraram do estanco dormente?
Onde está a audácia atrelada ao colo do teu pensar
doente?
Me ajuda a terminar isso, moço?
- Peço-te
desculpas, bela dama. Houve um acidente com outrem em outrora, no qual temo ter
perdido, talvez, muitas horas. Mas cá estou, ainda meio que aos pedaços,
desfazendo laços e te oferecendo nós. Nós seguros, firmes, fortes e abraçados,
para que o pouco calor que me resta possa aquecer-te desse frio que não tremes.
A propósito, o acidente mencionado foi dos olhos. Lamento ter perdido o
púrpura. O oftalmologista disse que foi perda total. Sinto muito. A causa foram
os olhos desse outrem que esbarraram nos meus na esquina da vida com a do
coração. Distrai-me e perdi o controle. O brilho nos olhos daquela pessoa me
cegaram e bati. Temo que a audácia do pensamento tenha sido danificada também.
Hoje tenho mais cautela ao virar as ruas. Não cruzo mais sinais vermelhos, nem
faço ultrapassagens em vias de mãos duplas. Sei que gostavas dessas aventuras.
Teu coração é justo contigo. Mas me perdi sem ti. E se hoje pude te encontrar
em segurança, é porque vim cuidadoso, para não me perder e nem te perder... de
novo.
(D. F.)
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