Qual é a lombra?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Que a vida também é mansa...

Vá-se embora minha doce pequena,
que a vida também é serena.
Assim como os olhos que fitam essas lágrimas
que escorrem por minha fronte
e cintilam o brilho da lua
dessa noite triste em que vais embora.

Mas vá-se embora e não chora, minha doce criança.
Vá que a vida também é mansa.

O que mais de cem mil palavras poderiam te dizer?
Das teorias sobre o amor?
Sobre a leveza?
Os passos que não pude seguir?
A vida que vou ter de viver sem ti?

Vai, moça.
Vai que não vais lembrar que de todos os vícios
só tenho aqueles dos quais não quero me livrar.
Que de todas as modas,
a única que interessou foi a das rosas dos teus vestidos.
Que de todas as moças,
fostes tu a varanda.

Aquela que acena, que deslumbra o mundo,
que olha as nuvens com poesia
deitada sobre a cama vermelha e macia,
fostes tu a da varanda.

Mas vai mesmo, mulher.
Vai, que não sou eu o do ônibus, nem do sonho,
nem da esquina, do olhar, ou do pão.
Sou apenas o do não e do nunca mais.

Vai em paz.

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