Qual é a lombra?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

À Capital do Império


Lembra-se do toque,
Da história, da malemolência,
Mas sem dó a ausência de tão querida presença
Faz com que a mente o sufoque.

Agora a ausência de ar nos pulmões,
Que anseiam por um cigarro,
Causa quase as mesmas sensações
Que a dos beijos na orelha, as súplicas sussurradas,
Os "suspiros depois", os abraços, os olhos...
Nos olhos apertados apertados.

A cor da incomoda lâmpada
Que tarda a apagar,
Se esvai em delírios visuais que a solidão traz.
Pois o tom do pouco sol que entrava pela janela
Aos horários da única visita
Era diferente.

E lembra-se de repente,
como se já não fosse tortura o suficiente,
Das conversas quentes,
Dos encontros frequentes
E até das fotos de seus dentes.

Recorda a dor da perda e a calma de lidar,
A cor da flor do vestido, do amor e de tudo que não vai passar.
Recorda a raiva e a paz de agora.
Sente-se bem por ter sido deixado em boa hora,
E vai embora
Chamando o deserto de “Solitude”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário