A cena começa com os dois andando pela rua indo em direção a
uma praça que fica um pouco distante dali. O rapaz percebe que a moça a quem
acompanha tem algum problema e tenta iniciar uma conversa. Para aliviar a tensão
do momento, ele faz isso de um modo um tanto descontraído e sarcástico, mas sem
ter muito sucesso, pois a moça faz de conta que está imersa em seus pensamentos
para não conversar com o rapaz.
- Tá bom. Cheguei à conclusão de que é uma merda te conhecer tão bem. Talvez nem seja assim tão bem, mas já é o suficiente pra saber das tuas manhas e manias, e hábitos, e coisas, e felicidades e tristezas. Teus sinais são muito claros. Parece que eu sei quando estás bem e, principalmente, quando não estás.
- ...
- Eu me preocupo contigo, menina. Isso era tudo que eu queria te dizer agora.
- ...
- Lembras aquela vez que me dissestes que sempre irias te preocupar comigo? Poisé. Acho que tu entendes o que eu digo.
- ...
- Queria te dar um abraço, mas provavelmente não irias querer o meu abraço. Não sendo áspero, nem grosseiro, simplesmente sincero, isso é verdade, não é?
- Han?
- De tu não quereres o meu abraço.
- Ai... Pra quê todo esse drama?! Eu vou ficar bem, tá? Eu tô bem. Me deixa. Vai viver.
- ...
Voz do rapaz (off): Eu tô vivendo.
Entra o diretor do filme e diz:
- PARA! Corta, corta! Agora vamos do começo pra gravar a outra parte dessa cena, que é a da expectativa do rapaz em relação a essa conversa, ok? Tá certo! Tudo pronto? Tá! Luz, câmera, ação!
Voltam a gravar:
- Tá bom. Cheguei à conclusão de que é uma merda te conhecer tão bem. Talvez nem seja assim tão bem, mas já é o suficiente pra saber das tuas manhas e manias, e hábitos, e coisas, e felicidades e tristezas. Teus sinais são muito claros. Parece que eu sei quando estás bem e, principalmente, quando não estás.
- Mas é tão ruim assim me conheceres bem?
- De certa forma, sim. Talvez se eu não te conhecesse desse jeito, não saberia que não estás bem, e não saber disso não me faria ficar preocupado contigo como eu estou agora. Diz logo o que foi que aconteceu.
- Depois eu te falo. Quando a gente chegar lá na praça.
- Hummm... Posso pelo menos te dar um abraço?
- Claro que pode.
- Mmmmm... Tô aqui viu? Podes contar comigo.
- (Risos) Obrigada!
E então:
- Ok! CORTA!
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