Não importava pra ninguém e absolutamente ninguém a
preocupação daquele cara que chegou, ficou por um tempo ali como um standard de
uma grande e boa novidade e raridade, e se foi para longe em vários sentidos
até ter tal distância, finalmente, física da fonte de sua preocupação. Mas ao
ler as cartas e poemas escritos com o que ele viu parecer tristeza, teve uma
quase certeza de que algo estava errado e que sua preocupação era justa. Teve
tanto cuidado (talvez nem tanto) para não causar os sentimentos vistos por ele
nos poemas e cartas sem destinatário identificável que leu, que não achou certo
que outro fizesse. Pensou: “Se não sou eu quem vai te causar tanta paz, não
deixe mais ninguém fazer menos que isso, pois meu esforço, por mais que não
parecesse, foi grande de verdade. Eu simplesmente não sabia como e de que forma
poderia te fazer me enxergar e ver minha dedicação. Não aceito que ninguém te
cause o que não quis causar.”. E desejou que Alice tivesse cuidado com suas
escolhas e com as pessoas, assim como ela desejou para ele no dia em que se
viram pela última vez.
- Ela sempre vai atrás desse bosta desse coelho filho da
puta, não importa o quanto isso talvez a machuque. – falou sozinho no quarto de
sua nova morada. – Eu sei e vi com ela o quanto isso é bom. Os caminhos por
onde essa perseguição nos leva, as pessoas que encontramos no percurso, as
situações, enfim. Sei que são incríveis mesmo. E quando nós o alcançamos então,
NOSSA! É lindo! Conversamos com ele, passamos longas horas fazendo aquilo que
nos dá na telha e tudo mais, mas quando começamos a querer, não tranca-lo, mas
simplesmente guarda-lo num lugar que achamos ser seguro, o coração, ele pode
até viver ali por um tempo, mas foge numa velocidade tão grande que sai
arrebentando tudo. E então ficamos quebrados por dentro. – e disse tudo isso
como se estivesse conversando com alguém, mas sua única companhia naquele
momento eram os cigarros que fumava um atrás do outro. – O foda é que a gente
sempre acha que vai conseguir fazer o coelho ficar ali dentro como se ele já
não tivesse mais pra onde ir. Engraçado é que quando já não ligamos mais pra ele,
nos tornamos coelhos também e isso quase sempre nos leva a um circulo vicioso:
Ora coelhos, ora Alices, dependendo de quem nos vê e como nos enxergam. – uma
pausa pra acender mais um cigarro – Talvez a esperança e quem sabe (?) a
redenção, seja e venha em algum momento em que encontrarmos outro coelho
enquanto estivermos como coelho, ou outra Alice enquanto estivermos como Alice.
Mas essa é uma estória tão cheia de personagens que podemos ser, que, sei lá,
as chances disso acontecer são quase como as de encontrar Wally na cidade.
Faz sentido? Bem, terminou seu “monólogo” com algo mais coerente:
- Merda! A preocupação tá matando meus pulmões. – e acendeu
mais um cigarro.
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