Qual é a lombra?

domingo, 5 de agosto de 2012

Coração x Pulmões


Não importava pra ninguém e absolutamente ninguém a preocupação daquele cara que chegou, ficou por um tempo ali como um standard de uma grande e boa novidade e raridade, e se foi para longe em vários sentidos até ter tal distância, finalmente, física da fonte de sua preocupação. Mas ao ler as cartas e poemas escritos com o que ele viu parecer tristeza, teve uma quase certeza de que algo estava errado e que sua preocupação era justa. Teve tanto cuidado (talvez nem tanto) para não causar os sentimentos vistos por ele nos poemas e cartas sem destinatário identificável que leu, que não achou certo que outro fizesse. Pensou: “Se não sou eu quem vai te causar tanta paz, não deixe mais ninguém fazer menos que isso, pois meu esforço, por mais que não parecesse, foi grande de verdade. Eu simplesmente não sabia como e de que forma poderia te fazer me enxergar e ver minha dedicação. Não aceito que ninguém te cause o que não quis causar.”. E desejou que Alice tivesse cuidado com suas escolhas e com as pessoas, assim como ela desejou para ele no dia em que se viram pela última vez.

- Ela sempre vai atrás desse bosta desse coelho filho da puta, não importa o quanto isso talvez a machuque. – falou sozinho no quarto de sua nova morada. – Eu sei e vi com ela o quanto isso é bom. Os caminhos por onde essa perseguição nos leva, as pessoas que encontramos no percurso, as situações, enfim. Sei que são incríveis mesmo. E quando nós o alcançamos então, NOSSA! É lindo! Conversamos com ele, passamos longas horas fazendo aquilo que nos dá na telha e tudo mais, mas quando começamos a querer, não tranca-lo, mas simplesmente guarda-lo num lugar que achamos ser seguro, o coração, ele pode até viver ali por um tempo, mas foge numa velocidade tão grande que sai arrebentando tudo. E então ficamos quebrados por dentro. – e disse tudo isso como se estivesse conversando com alguém, mas sua única companhia naquele momento eram os cigarros que fumava um atrás do outro. – O foda é que a gente sempre acha que vai conseguir fazer o coelho ficar ali dentro como se ele já não tivesse mais pra onde ir. Engraçado é que quando já não ligamos mais pra ele, nos tornamos coelhos também e isso quase sempre nos leva a um circulo vicioso: Ora coelhos, ora Alices, dependendo de quem nos vê e como nos enxergam. – uma pausa pra acender mais um cigarro – Talvez a esperança e quem sabe (?) a redenção, seja e venha em algum momento em que encontrarmos outro coelho enquanto estivermos como coelho, ou outra Alice enquanto estivermos como Alice. Mas essa é uma estória tão cheia de personagens que podemos ser, que, sei lá, as chances disso acontecer são quase como as de encontrar Wally na cidade.

Faz sentido? Bem, terminou seu “monólogo” com algo mais coerente:

- Merda! A preocupação tá matando meus pulmões. – e acendeu mais um cigarro.

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