passava eu
procurando algum lugar para
saciar a fome, a mágoa
e voltar.
De 8 as 8,
de segunda a sexta
eu trampo lá:
ar-condicionado,
chão branco lavado
e a sordidez.
Agora eu sei, eu cresci
e esqueci de esquecer o que eu fui.
O alarme conta cada passo
pr'eu não atrasar.
De fato corro no compasso,
o sapato engraxado
e os rastros de um ninguém.
Não vi a pedra,
mas a pedra que me viu
me derrubou.
Cai feito uma merda
as costas sob a relva,
em cima eu vi o céu.
E foi então que eu percebi
que esqueci de esquecer o que eu fui.
E foi então que eu ri
pois esqueci de esquecer o que eu fui.
Fui ensinado pela minha mãe a obedecer.
Meu pai eu não conheço,
meu filho já tem berço,
eu pago à prestação
A vida toda a gente paga
o preço de nascer.
É a nossa condição
ser um bom cidadão
pra poder esquecer
Mas eu não me esqueci.
Tropecei na pedra
e a estrela me lembrou.
Mas eu não me esqueci.
Tropecei na estrela,
a pedra me lembrou
Que eu fui,
que eu sou
eu.
Por Mateus Moura
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