Qual é a lombra?

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Adiós (por hora)

Menina de amor fácil,
parto em teu partir.
Sigo desacompanhado
e como há muito não fazia
só.

Respeite o nó que se desfaz agora.
Que não há lugar, não há espaço (por hora)
pro cordão e pro cordel
de nosso laço um dia feito.

Lembrar-me-ei para o resto de meus dias
o instante em que subistes naquele ônibus
e declarastes timidamente o que sentias,
e sentes, e minha nada hesitante resposta,
posta num texto febril que a luz do celular
não pôde traduzir.

Parto a dor que me partiu em pedaços.
Parto o afã de certo abandono.
Parto a puta que pariu e a cara no meio fio.
Parto um cigarro ao meio e fumo só a metade sem filtro.
Parto uma música e um pranto copioso.
Parto a tontura e a dor de cabeça.
Parto o coração em pó.
Parto a katana e a faca no peito.
Parto o dom de te amar ao ponto de te deixar
partir...

(Por hora é assim.
Acho que vou sempre estar aqui,
mas de que modo eu não sei.
Perdão).

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