"-Temos a vida.
-É o que nos resta."
Em todas as doses de tudo que já prevíamos, quando começas a roncar ao meu ouvindo anunciando que teu sono chegou derradeiro, me fazendo acordar do meu sono que chegou derradeiro, ESSA, eu digo ESSA é a melhor parte. Digo de alma transpirada ao teu suspiro, de força involuntária calejada, de preces intencionalmente não atendidas, que o ronco (ronronar) foi a melhor parte.
Todas as horas desse dia do encontro pós primavera foram especiais. Aprendi sobre música, sobre música, sobre música e sobre personalidade, e sobre ti. Vi que somos muito parecidos pelos teus olhos e depois pelos meus. Ouvi fatos que fariam, talvez, outros morrerem. Senti que os olhares tornaram-se palavras, abraços, carinhos. E que dois barcos vão no tempo sem olhar pra quê, e apenas vão, sem nada e nada em vão.
"-Queres ir?
-Bora! A vida é só uma.
-=D"
A noite, a lua, a poesia. As coisas eram palpáveis. Ao alcance das mãos havia um passo de dança, uma caneta, mas os gestos, palavras, pupilas, olfato, pareciam encostar na alma mesmo sem querer. E quando os copos se disseram 'sim', as respirações pesaram, o pulsar dos dois sentia-se no compasso (descompassado) da cama, e tudo por um leve toque. E quando foi rompido o muro mudo do sutil, lábios calavam palavras aí vãs. Pois cores já conhecidas pairavam sobre aqueles dois naquele quarto. Eram os dois outros à quem foi entregue o que o par inebriado achou melhor esconder (recolher): Uma tal de...
"-Que fique bem claro... que is.. isso... é por... causa de... sa, dessa nossa...
-Eu sei."
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