Tua voz, sempre tão bonita e suave, me rompe os ouvidos da
alma no momento em que tivestes a sensação de precisar elevar os tons para que
eu te escutasse melhor. Então me calei e não ouvi uma só palavra do que tu
dissestes. Sobre o que pensavas me dei apenas a preocupação de te fazer
entender que já não me importava mais. Teimastes com minha palavra, me
chamastes de “fodão”, então perdi as esperanças e deixei o silêncio “eloquentizar”
a profunda frieza com a qual encarava aquela situação, te olhando nos olhos,
num ato que fez o tempo passar bem devagar. O que me fez perceber que há muito
tempo não te olhava daquele jeito e também perceber o que foi preciso para que
isso acontecesse de novo. O tempo foi se tornando cada vez mais lento, me
fazendo refletir mais ainda sobre tudo o que nos levou àquele momento. Então,
tão profunda quanto minha frieza, tristeza e arrependimento tomaram conta de
mim. Mas sendo já tão tarde para me arrepender de tanta coisa, me restou apenas desapegar de todos os dias e sentir orgulho do meu plano quase perfeito de finalmente me livrar de toda
aquela carga de preocupação e culpa, amor e ódio... por ti e de ti.
Realmente tudo pode dar certo.
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