O espírito criativo ainda tem as mãos feridas pela lâmina da
katana que teve de arrancar do peito e muito ainda tem de ser feito para que
ele as consiga curar completamente. A questão é que ele mesmo não sabe se quer
a cura, ou se prefere morrer, deixar de existir. Já pensou em cometer suicídio,
mas mesmo pra ele é difícil justamente por não ter mais tanta criatividade e
não conseguir imaginar um modo eficiente de se matar, e pensa que é por tal
motivo que deve morrer. Então ele continua inerte, pensando e imaginando
imagens e canções que se quebram como vidro na sua frente, e se despedaçam
deixando apenas um mosaico de ideias fragmentadas no chão e que se transformam
em novas ideias, mas que, frágeis que são, se quebram novamente. Da última
coisa que conseguiu guardar respirou uma canção. Não a considera boa como as
outras dos tempos de boa saúde, nem boa como as dos tempos de katana, mas a tem com carinho e respeito e como uma mensagem a
quem merecer ouvir.
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