Qual é a lombra?

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Página 58


O Mundo Paralelo: Passárgada 4 Marias e o Núcleo da Vila.


Página 58


Com certeza “58” foi um dos dias mais belos desde que o Pequeno Gafanhoto saiu das abas de sua cidade natal e foi morar na cidade onde todo dia é Natal, explorar a vida e o mundo. Geralmente ele pensa que o dia só acaba quando ele vai deitar-se para dormir e dorme, mas esse dia foi uma exceção segura disso, pois até o seu sono, coisa quase totalmente desprezada por ele, conseguiu ser tão bom que foi inserido como parte desse dia tão maravilhoso. E que dia, hein? No caminho para finalmente chegar em casa, o Gafanhoto só pensava em voltar para o que parecia ser um pedaço de paraíso em meio ao caos tranquilo da cidade. E parecia ser paraíso aquele lugar não só pelo lugar, que também era lindo, mas sim também pelas pessoas, pelas cinco mulheres que transformavam o ambiente onde estivessem em uma coisa tão boa e tranquila de se viver. Num sossego sem tamanho, numa calma de fazer, mesmo que sem que se dessem conta disso, cada segundo, cada respiração, cada frase, cada movimento, um poema, uma cena de cinema, um espetáculo.

As cinco mulheres eram: A Rainha Paz, que faz com que tudo o que ela toque tenha um colorido hipnotizante como o dos ornamentos para as orelhas que ela mesma produz, e que mesmo com sua sede pela boemia, consegue conduzir qualquer situação com muita calma e serenidade. Ao seu lado está A Cavaleira Delicada, com sua presença sutil e precisa. Suas palavras saem como uma dança com espadas, na qual ela golpeia uma vez a cada elevação de seus tons, sem cortar ou ferir o alvo, só encostando a ponta da espada no torso e nas fontes de quem as escuta como se quisesse acariciar seus ouvintes. A terceira era a preferida do Gafanhoto, A Deusa Brincalhona. Adorava vê-la cantar e tocar, ouvir e participar das canções e das brincadeiras dela. Tinham hábitos e gostos em comum, e viam os sons como formas e/ou frases de essencial importância para a vida. Enxergava-a como uma deusa porque não conseguia ver de outra forma que não sendo superpoderes a capacidade dela de se expressar e se fazer entender tão bem em cada sílaba, a perspicácia que ela utilizava para elaborar suas frases e brincadeiras mais engraçadas, e a memória e conhecimento sobre coisas já quase extintas das mentes de muitos, mas que num gesto simples ela nos faz lembrar com uma nostalgia gostosa, ou nos dá uma sensação de primeira vez única, caso seja essa a ocasião ou não. A quarta era também muito querida pelo Gafanhoto, A Colombina. Também adorava vê-la cantar e tocar as canções que ela mesma fazia. Ficava maravilhado com o jeito dela de expressar-se, mover-se, pois tudo que ela fazia era sempre muito teatral e muito bonito. Nunca soube como poderia caber tanta doçura em uma pessoa só. Tinha visões de flocos de açúcar saindo da boca dela enquanto ela falava sobre qualquer assunto e via seus cabelos encaracolados como cachos de caramelo. A quinta, A Dragonita, apesar do nome, era belíssima. De coloração negra e roxa, sua pele tinha um tom alvo com sardas que combinava perfeitamente com suas tatuagens. Com voz e presença bem marcantes, iluminava o ambiente como se a cada vez que falasse, ou risse com aquela risada maior “do mundô”, ela também soprasse pequenas labaredas onde seriam as vírgulas, os pontos finais ou de interrogação.

Havia mais outras duas moças que também acompanhavam e participavam de certa forma, das inúmeras cenas daquele espetáculo de vários espetáculos simultâneos. Uma vestia o papel de Comandante do Fogo na guerra contra as formigas do quintal. A outra, ainda abalada por ter caído em uma das armadilhas das “formiguerreiras”, resumiu-se em passar o resto da tarde assistindo tudo aquilo ao lado do Gafanhoto. Tínhamos então uma lasanha de beterraba sendo preparada pela Rainha Paz e suas súditas para o almoço real, que acabou virando o jantar real, uma dura batalha contra as formigas não cortadeiras em prol de que elas não derrubassem a casa, uma Deusa ordenando que as folhas dos coqueiros caíssem para que elas fossem converTidas em um pouco de privacidade na hora do banho, e uma peça teatral na qual Colombina contracenava com um dos maiores atores do mundo paralelo, O Coco Verde, trazido pelas mãos do Super-Herói Astronauta.

- O almoço (real) está servido! – anuncia A Rainha Paz. A essa altura o Gafanhoto estava à altura de um cajueiro observando o pôr-do-sol e acompanhando a melhora de saúde da moça que repousava na rede. Pobre moça. Como se não bastece ter sido avariada quando caiu na armadilha, ainda foi atingida pelo Coco Verde na cabeça. O Coco Verde fez papel de vilão naquela tarde. Depois de atingir a moça, rachou-se e então sua água foi usada pela Deusa Brincalhona numa de suas brincadeiras. Os dois se uniram e deram um banho no Super-Herói Astronauta.


Quase sete da noite e todos almoçando.


Dragonina: É a melhor lasanha de beterraba do mundo!

Rainha Paz: Uai! Também deve ser a única lasanha de beterraba do mundo.

Colombina: Gente! Mas vocês estão de parabéns, viu?

Cavaleira Delicada: Bá! Tá tri bom isso aqui!

Deusa Brincalhona: Eu acho que nada a ver isso aí. Tem que divulgar essa receita pro resto do mundo então, né?

Dragonina: Do mundo...


E a conversa assim seguia,
Entre garfadas e gargalhadas.
Com tons de poesia,
Página 58:
Um dos melhores dias da minha vida.

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