Sessão de achados e perdidos: O poema e os bastidores.
#Parte 1
Um casal deitado em uma cama de solteiro, num quarto pequeno
quase nos fundos da casa e que só tem uma janela que capta parcialmente o sol.
Ela está dormindo, ele está assistindo e pensando em sorte e destino. Está
escuro, pois já é noite, 19h30min. O tempo chuvoso fez com que escurecesse mais
cedo. O rapaz olha em volta e não consegue ver nada que não esteja iluminado
pela luz azul de seu computador. Olha para a moça e lembra os momentos antes de
os dois pegarem no sono.
E no escuro do quarto
Só uma luz azul.
A música para,
Os corpos se abraçam
E o sono leva o tempo
correndo,
Mas tudo sem atraso.
Como se dissesse:
‘Houve o que foi de
ser’.
E que amanhã, espero,
será.
Todas as coisas que
eu quero querer
Pra vida inteira.
#Parte 2
No dia seguinte, os dois conversam pela internet. Falam de
seus planos para os próximos dias, trocam alguns conhecimentos musicais,
compartilham bandas e etc. A moça envia um texto para o rapaz, falando de um
dia que passaram juntos e fizeram e experimentaram coisas que ainda não haviam
feito. Ela cita várias coisas, inclusive a cadeira na qual o rapaz está
sentado. O rapaz lê o texto e ri. Os dois comentam e conversam sobre o texto e
o dia ao qual a moça se refere nele. Então o rapaz lembra mais detalhes daquele
dia, e depois de uma série de devaneios ele atualiza seu status no Facebook com
a frase: “Todas as coisas que eu quero querer pra vida inteira”.
Isso chama a atenção da moça e ela logo presume que a frase faz parte de um poema escrito pelo rapaz. Mal sabia ela que a tal frase surgiu de repente e que não fazia parte de poema algum, até o momento em que ela comenta o status do rapaz dizendo que quer ver o resto do que ela pensa ser um poema já escrito. Esse comentário serve de incentivo para o rapaz e então ele responde dizendo que é para ela esperar um instante. Ele pega um caderno velho que tem desde seus 16 anos, uma caneta que estava em uma estante cheia de livros, outros cadernos e instrumentos musicais de sua irmã, senta-se na cadeira da qual falava há pouco e que está com uma toalha branca em seu assento, e começa a escrever.
Todas as coisas que
eu quero
Querer pra vida
inteira.
Todas as coisas que
eu quero
Dizer sem ser
besteira.
Toda a seriedade de
uma brincadeira.
Todas as utilidades
de uma cadeira.
Que dispõe de um assento
à altura dos teus joelhos
E te faz ficar com os
olhos bem vermelhos.
Ele envia para a moça uma versão do poema em que ele junta
os pensamentos que teve enquanto a assistia dormir, com os versos que acabara
de escrever, invertendo a ordem das estrofes.
*Versão original:
Todas as coisas que
eu quero
Querer pra vida
inteira.
Todas as coisas que
eu quero
Dizer sem ser
besteira.
Toda a seriedade de
uma brincadeira.
Todas as utilidades
de uma cadeira.
Que dispõe de um
assento à altura dos teus joelhos
E te faz ficar com os
olhos bem vermelhos.
E no escuro do
quarto,
Só uma luz azul.
A música para,
Os corpos se abraçam
E o sono leva o tempo
correndo,
Mas tudo sem atraso.
Como se dissesse:
‘Houve o que foi de
ser’.
E que amanhã, espero,
será.
Todas as coisas que
eu quero querer
Pra vida inteira.
(Tempos de tesouro de
um caderno velho)
E eu acho que conheço essa moça <3
ResponderExcluirCoisa mais linda de se ler!
Será que conheces?
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